sexta-feira, 16 de novembro de 2007

FADO DO CIÚME



Se não esqueceste
O amor que me dedicaste,
E o que escreveste
Nas cartas que me mandaste,
Esquece o passado
E volta para meu lado,
Porque já estás perdoado
De tudo o que me chamaste.


Volta meu querido,
Mas volta como disseste,
Arrependido
De tudo o que me fizeste,
Haja o que houver
Já basta p'ra teu castigo
Essa mulher
Que andava agora contigo.


Se é contrafeito
Não voltes, toma cautela
Porque eu aceito
Que vivas antes com ela
Pois podes crer
Que antes prefiro morrer
Do que contigo viver
Sabendo que gostas dela.


Só o que eu te peço
É uma recordação,
Se é que mereço
Um pouco de compaixão,
Deixa ficar
O teu retrato comigo,
P'ra eu julgar
Que ainda vivo contigo

espero...


Sentada debaixo de duas árvores, um corpo, uma vida, lavada em lágrimas, aqui e ali, junto as árvores despidas pelo o vento frio de Inverno, voz despindo a noite, beijando estrelas cadentes, desejos pedidos, quantos foram feitos alguns em nome do amor como dois amantes apaixonados. É noite de luar, gatos ao relento miando junto a sombra de um corpo sem nome, sem o verdadeiro sorriso do amor. O amor deixa de mostrar a verdadeira essência quando um coração ama em vão… O corpo deixa de ter a afirmação completa, é como tirar uma asa de uma borboleta, perde por completo todo o encanto... Fecha os olhos e deixa de voar por amor as flores.No amor, os dias, as horas pertencem a um só momento. A noite parece ter outro sentido, os ponteiros dos relógios ganham outra velocidade. Quando verdadeiramente se ama alguém, as asas dos anjos são as nossas asas. Voamos interminavelmente abraçados aos sonhos, aos planos, aos desejos. A rota do amor torna-se apenas uma, somente única em todo seu sentido. Todos os caprichos, detalhes são minúsculos quando a certeza do verdadeiro amor sobrepõem ao querer.

Parábola : O Rio e o Mar


Sobre as pedras brancas e lapidadas ele percorria.Percorria só, atento às ondulações em suas margens.Observando dia e noite a mata que o protegia.Sabia estar indo para algum lugar, mas não podia prever aonde daria seu curso.Por vezes sentia-se só e alegrava-se quando os animais vinham nele beber.Dia e noite suas águas percorriam e desejava saber o porquê da sua natureza assim ser. Queria parar um pouco e desfrutar das mesmas coisas que todos desfrutavam na mata.Um dia ao entardecer entristeceu-se e se pôs a chorar. Sentia muita solidão...Suas lágrimas inundaram a mata, causando pânico aos que nela viviam:- Rio, por que choras? Tua tristeza desequilibra a natureza na qual vivemos!- Choro por sentir-me só. Enquanto todos possuem companhia, eu percorro sozinho, sem ninguém para falar, ninguém para brincar. E sinto medo, pois não sei para onde estou indo...Todos na mata silenciaram diante da tristeza do rio. Também não sabiam aonde ele iria chegar. Não podiam ajudá-lo.E assim. Todos ficaram parados, vendo o rio passar...Sua tristeza era profunda e não havia meios de ajudá-lo...A chuva surgiu inesperadamente de dentro da mata e vendo a tristeza do rio, perguntou:- O que lhe tira a paz, meu caro amigo?- Não entendo minha natureza e sinto-me muito sozinho a percorrer por tantos caminhos que nunca chegam a lugar algum.A chuva vendo o desespero do rio, afagou-o gentilmente com suas águas límpidas.- Se choras por estares só é porque ainda não descobriste tua real natureza. Nada neste mundo está só, excluído do todo. Aceita tua natureza e percorre feliz em teu curso. És tão necessário quanto a mata e tudo que nela vive. És tão necessário quanto o sol e tudo que na sua luz é banhado. Teu destino não está longe e quando o encontrares saberás que tudo tem uma razão de ser. Aceita a orientação que vem de dentro, ela sabe o percurso e sabe para onde estás indo. Confia e tua confiança conduzir-te-á para tua alegria, para teu descanso, para teu reencontro com a tua verdadeira natureza. Quando chegares neste lugar estarás em paz, pois viverás com os teus iguais. O rio recebeu a chuva com contentamento e tratou de seguir seu curso, confiante no que a chuva lhe falara.Adiante, uma surpresa, percebeu que estava saindo da verde mata, caindo lentamente sobre um mar azul... Infinitamente azul...

Porquê Mentir....


Se é verdade que me sinto feliz? Deixei de ter expectativas e passei a ter sonhos e ambições. As expectativas sugam-nos a capacidade de ter os pés assentes na terra, provocam desilusões: porque, à partida, a expectativa assume que algo acontecerá, tomando-o quase como garantido.

A partir do momento em que deixei de as ter constantemente, apercebi-me de que a vida se torna muito melhor - porque tudo o que vem é fruto de sonhos ou da pura surpresa. Tudo de bom que acontece é um extra.
Tendo sonhos e ambições, obrigo-me a lutar por eles todos os dias, substituindo a espera passiva de que algo surja, por uma actualização diária das prioridades, horários, e formas de acção.
A verdade é que me sinto feliz assim. Não é aquela felicidade que nos põe nas nuvens, e que logo passa, como aguaceiro.
É antes aquele sentimento de segurança, de que me encontro no caminho certo, na rota traçada. A certeza de que é aqui que devo estar, neste momento.
De que tudo o que vivi até hoje foi necessário para me encontrar aqui.
Todos os erros que cometi tinham que ser cometidos - a certeza de que não houve tempo perdido, mas aprendizagem.
Sinto-me assim há algum tempo, mas ainda não tinha encontrado a vontade de escrever especificamente sobre isso - creio que quando estamos assim não sentimos aquela necessidade de falar sobre isso...a dor é egoísta...mas a alegria é muito mais... A vontade surgiu hoje, agora, depois do consumar de sonhos e desejos pessoais, que se arrastavam há meses, muitos meses. Surgiu depois de ires, e eu ter tempo de arrumar as ideias e encontrar espaço para o contínuo desenrolar da história que todos os dias escrevemos com as nossas decisões.

Oração das mulheres


Eu aprendi...



Eu aprendi... que eu não posso exigir o amor de ninguém. Posso apenas dar boas razões para que gostem de mim e ter paciência para que a vida faça o resto;

…que não importa o quanto certas coisas são importantes para mim, pois há gente que não dá valor e jamais as conseguirei convencer dessa importância;
…que posso passar anos a construir uma verdade e destruí-la em apenas alguns segundos.

Eu aprendi… que posso usar o meu charme por apenas 15 minutos, depois disso, preciso saber do que estou a falar;

…que posso fazer algo num minuto e ter que responder por isso o resto da vida;
…que por mais que alguém corte um pão em fatias, esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale para tudo o que cortamos do nosso caminho.

Eu aprendi… que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser e que devo ter paciência;

…que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei a mim mesmo;
…que eu preciso escolher entre controlar o meu pensamento ou ser controlado por ele.

Eu aprendi… que os heróis são pessoas que fazem o que acham que devem fazer naquele momento, independentemente do medo que sentem;

…que perdoar exige muita prática;
…que há muita gente que gosta de mim, mas que não consegue expressar isso.

Eu aprendi… que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que eu achava que iria tentar piorar minha vida;

...que eu posso ficar furiosa, tendo o direito de me irritar, mas não tenho o direito de ser cruel.

Eu aprendi… que a palavra “AMOR” perde o sentido, quando usada sem critério;

…que certas pessoas vão embora de qualquer maneira;
…que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas que eu acredito.

Se aprendêssemos algumas coisas, tudo seria mais fácil…certas coisas realmente eu já aprendi…outras…ainda não…estou a tentar


William Shakespeare

fado da maldição


Que destino, ou maldição
Manda em nós meu coração?
Um do outro assim perdidos
Somos dois gritos calados,
Dois fados desencontrados.
Dois amantes desunidos.

Por ti sofro e vou morrendo,
Não te encontro, nem te entendo,

A mim o digo sem razão:
Coração...quando te cansas
Das nossas mortas esperanças,
Quando paras, coração?


Nesta luta, esta agonia,
Canto e choro de alegria,
Sou feliz e desgraçada.
Que sina a tua, meu peito,
Que nunca estás satisfeito,
Que dás tudo...e não tens nada.

Na gelada solidão,
Que tu me dás coração,
Não é vida nem é morte:
È lucidez, desatino,
De ler no próprio destino,
Sem poder...mudar-lhe a sorte...

A vida...


É algo profundo... a vida, por vezes sentimo-nos tão agarrados a ela, outras vezes sentimo-nos apenas desprendidos dela. A nossa alma procura algo tão glorioso como uma luz divina, uma estrela que nos guia quando atravessamos um mau bocado, umas vezes aparece e nós não nos apercebemos, outras simplesmente não aparece! Questionamo-nos todos os dias o porque de mais um dia, neste fosso de planeta, onde quase nunca aprendemos a compreender a nossa felicidade e infelizmente por vezes somos um simples objecto inanimado.

Damos graças por mais um dia, o simples bater do sol nas nossas costas, o reflexo do luar numa fonte de agua, as cores vivas da natureza, quando de repente tomamos consciência do rumo da natureza, o nosso destino, as nossas escolhas, tudo tem uma razão de ser, pessoas que são postas da nossa vida, acontecimento ocorridos, ablações no nosso subconsciente.


É A VIDA E DA GRAÇAS POR ELA, CADA MOVIMENTO TEU PODERIA SER O DE OUTRA PESSOA, PRESA NUMA CAMA, CADA PALAVRA PODERIA SER DITA POR UM MUDO, CADA OLHAR PODERIA SER UM DE UM CEGO, O TACTO E OLFACTO DA GRAÇAS PELO QUE TENS, NÃO DESPERDICES.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A solidao


Ela vem como um anjo, como uma criança inocente, dando-nos a esperança que ela nos trará a alegria e a paz que até agora não haviamos encontrado. Num certo momento, vimos que tudo está como não era antes. Encontramos o que menos desejávamos: A Solidão. A Solidão é assim: em certos momentos nos traz a paz em estarmos só, mas em outros, nos traz arrepios e calafrios em estarmos inseguros, sem ninguém para nos proteger. O anjo veda-nos os olhos com uma faixa negra e nos põe em um quarto, onde as paredes são repletas de espinhos... e nos faz incapazes, transformando-nos em pessoas frias e inúteis. A única maneira de nos livrarmos dela, é apenas descruzarmos os braços e arrancar com toda ferocidade o que nos cega. É termos coragem para enfrentar o obscuro. Só assim conseguiremos ver que nas paredes, além de espinhos, haviam flores. Lindas flores. E que no outro lado daquela faixa negra, o anjo havia escrito que a felicidade só dependeria de mim, só dependeria do meu amor.

quero agora!


Quero o teu sorriso, lúcido e em abundância a clarear em montes imensos,cheios de nada. Mas permaneço inerte, nada conheço. A minha forma de atingir à verdade é uma complexidade de ideias, em desatino. O meu ser é um caminho longo num infinito sem mim. O pensamento um habito, sem forma e sem imagens. Vivo o sonho aquém da realidade e percorro um caminho de sons e ruídos silenciosos. Sons aquém do som, imagens numa tela sem vida. Mas esse teu sorriso lúcido e em abundância perdeu-se nas horas sem tempo. Amas-te em mim a emoção de outrora como um rio que passa e não pára à procura de pertencer à vida. Uma luz certa no tempo, sem tempo, agora!...